Discurso
do presidente da República, Fernando
Henrique Cardoso, na cerimônia de
apresentação do Programa
de Desenvolvimento Sustentável
do Centro-Oeste do Estado de Minas Gerais
- Itaúna/MG
Meu caro Eduardo Azeredo,
Meus amigos Ministros de Estado, aqui
presentes,
Senadores, Deputados,
Osmando Pereira da Silva, que é
o nosso Prefeito de Itaúna,
Cláudio Veras, que é o Presidente
do Prodescom,
Senhoras e Senhores,
Mais uma vez, aqui, em Minas Gerais, sinto
a alegria de ser brasileiro. Sinto uma
alegria autêntica aqui, neste pedacinho
de Minas. O Governador Eduardo Azeredo
me dizia que é, talvez, o mais
mineiro dos pedaços mineiros, porque
sofre menos a influência de outros
Estados, é Minas em estado puro,
na sua própria essência.
E sinto a alegria de ser brasileiro. E
digo o porquê.
Primeiro,
porque há este Prodescom, que é
uma realização. Depois,
porque o Prefeito foi tão preciso,
tão direto, ao fazer um diagnóstico
da sua cidade, e tão generoso,
ao referir-se ao Presidente da República,
que só posso agradecer.
Agora,
acabamos de ouvir uma exposição
admirável. Admirável e que
eu gostaria que todos os brasileiros pudessem
tê-la escutado com a mesma atenção
que prestamos para, de uma maneira tão
objetiva, ter um resumo do que está
neste pedacinho do Brasil. Tomara o que
esteja acontecendo aqui se generalize
pelo Brasil todo. Porque o que está
acontecendo aqui é o sonho de todos
nós. Um Brasil que hoje, em plena
democracia, com estabilidade da economia,
é capaz de pensar em conjunto os
seus problemas. É capaz de planejar,
é capaz de ver o que dá
para fazer no tempo e se organiza. Isso
é o sonho de uma sociedade que
se democratiza.
Este
é um Brasil que, talvez, não
seja tão visível, ainda,
em muitas outras regiões, até
mesmo nas grandes cidades, onde é
mais difícil, é mais tumultuado
para perceber essa mudança que
está ocorrendo. Mas nos aproximamos
desse Brasil vital, desses enormes espaços,
hoje, pontilhados de cidades, como Itaúna.
Basta chegar, aqui, e se, ver que é
uma cidade que tem organização.
Basta olhar o traçado urbano da
cidade. Basta ver os morros e a cidade
como vai, caprichosamente, subindo o morro,
como vai havendo uma escola, uma Faculdade
ali adiante, como as casas vão
melhorando. Ainda há pobreza, por
certo, como em toda parte do Brasil, mas
já começa a haver dignidade.
E a dignidade depende, em larga medida
- como disse, aqui, o Prefeito - das políticas
pública que possam fazer com que
aqueles que nada têm, ou que têm
muito pouco, pelo menos tenham o essencial
para uma vida decente: educação,
saúde, habitação,
saneamento, uma condição
de cidadania, uma condição
de ser humano. Vê-se que aqui isso
existe.
Não
conheço todas as cidades da região.
Estive, sim, recentemente, na Serra da
Canastra. Conheço bastante Minas.
Venho freqüentemente a Minas. É
o Estado onde eu mais vivo, porque sempre
que posso, saio de Brasília e vou
para Buritis. E sempre que me deixam em
paz, por lá - não é
sempre - gosto das delícias de
ser mineiro, também.
Não conheço toda a região.
Mas imagino, ao ver Itaúna, que
esse espírito permeia toda a região.
Conheço os Deputados e os Senadores.
Os Senadores, alguns deles, de muitos
anos. Fomos colegas. O Senador Francelino
Pereira, que é um pouco mais moço
que eu, e o Senador Arlindo Porto, fomos
colegas, no Senado. E os Deputados, de
tantas vezes que estivemos juntos. Mais
recentemente, foi o Deputado Rafael Guerra
quem, realmente, incutiu no meu espírito
a importância, a necessidade de
vir, aqui, me encontrar com os demais
companheiros Deputados e Senadores, Ministros
e, sobretudo, os Prefeitos da região.
Então, eu os conheço e sei,
por intermédio deles, das transformações
que estão ocorrendo aqui.
Aqui
se está fazendo o que é
preciso fazer: um planejamento moderno.
Planejamento moderno não significa,
obviamente, dizer que o mercado vai resolver
as coisas. Porque o mercado não
resolve. O mercado não resolve
as questões fundamentais de uma
sociedade que ainda tem desigualdades
tão marcantes quanto a brasileira.
Mas, também, não significa
dizer que o Estado possa fazê-lo.
Planejamento moderno significa uma parceria,
como aqui foi dito, entre os vários
níveis da administração
local, se possível estadual, a
federal, que têm que se dar as mãos.
E eu dou as mãos de qualquer maneira,
pelo povo da região. Temos que
entender isso: é preciso que haja
harmonia entre os vários níveis
da administração. Na política
nós podemos até brigar.
Não
gosto muito de brigar não, mas
brigo.
Mas
o importante não é só
a política para o povo. O importante
é a capacidade de fazer com que
as políticas públicas cheguem
ao povo. E isso requer uma coordenação
administrativa. Mas, além disso,
é preciso que os segmentos mais
vibrantes da sociedade civil se organizem
e cooperem - na crítica também
- mas cooperem na implementação
das transformações que são
necessárias.
Essas transformações não
podem, como no passado alguns imaginaram,
ser ditadas pelo governo, pelo Estado,
por um plano burocrático que esteja
muito distanciado da realidade viva da
sociedade. Tem que ser algo que vai em
processo, em que hoje se propõe
uma coisa, amanhã outra, se ajusta,
há contradições,
mas há uma diretriz, há
um rumo. E é o que está
acontecendo aqui no Prodescom. É
o que está acontecendo quando se
juntam todos, e nos vários níveis
da administração e quando,
pouco a pouco, vamos definindo os caminhos.
E, finalmente, hoje, pedem apoio para
quatro programas. Chegou-se a um objetivo.
Dentro das minhas possibilidades, darei
o apoio.
Darei
o apoio e posso lhes dizer que vou mandar
verificar as estradas aí referidas,
o que é possível fazer no
Orçamento. Por quê? Porque
as estradas estavam delegadas ao Governo
Estadual. Elas voltaram agora para o Governo
Federal por uma questão de querela
sobre pedágios. Não sei
se no Orçamento já existe
a linha que me permita colocar os recursos.
Se existe, vou colocar os recursos. Então,
vou mandar o Ministério do Planejamento
colocar os recursos. Não porque
visitei aqui, não apenas porque
estive aqui, não apenas para comemorar
- e já bastaria - os 100 anos de
Itaúna, mas porque vi o trabalho
sério, porque vi que isso é
a vontade coletiva da região organizada,
e não é apenas um apelo,
nem político, nem partidário,
nem do governo, mas é de toda a
sociedade que acha que isso é importante.
Então, nós vamos fazer.
Da
mesma maneira, no que diz respeito ao
saneamento básico, existem recursos
no Ministério de Meio Ambiente
especificamente para o Rio São
Francisco. O secretário-executivo
está aqui, o Ministro não
está. Tenho certeza de que, se
o secretário destinar esses recursos,
o Ministro vai dizer: obrigado secretário,
é isso mesmo!
Saneamento é um processo longo,
é custoso. Um dos principais obstáculos
a que se avance no saneamento básico
no Brasil é a indefinição,
que ainda existe, em nível constitucional
e em nível infra-constitucional,
sobre a titularidade da concessão.
Ou seja, quem dá a concessão
é o município ou é
o Estado? Quando os municípios
se organizam em bacias, quando existe
essa compreensão de que não
é possível haver uma luta
cega para saber quem é dono do
quê, senão que o povo que
é o dono de tudo - e aqui houve
isso - torna-se mais fácil enfrentar
e resolver a questão do saneamento
básico, que talvez seja hoje o
ponto mais delicado para darmos continuidade
à luta, que é contínua,
que é a respeito das melhorias
das condições de saúde
do nosso povo.
Conseguimos
reduzir, significativamente, a mortalidade
infantil na última década.
Dentro de poucos dias, o IBGE termina
uma análise comparando toda a última
década do século passado,
do ano de 1991 até o ano 2000.
Imagino que, aí, será mais
fácil mostrar ao país o
quanto se mudou o Brasil. E, certamente,
na questão de mortalidade infantil,
houve uma queda. Ainda é elevada
a mortalidade no Brasil: 33 crianças
por mil nascidos. Os dados não
são muito precisos, porque no Brasil
não se faz para calcular a mortalidade
infantil aquilo que se faz nos países
mais desenvolvidos, ou seja, fazer uma
pesquisa no cartório. Aqui se faz
de outra maneira e, ao fazer-se de outra
maneira, há uma margem de especulação.
Mas agora o Ministro da Saúde determinou,
creio que a Unicef e a Organização
Mundial de Saúde estão patrocinando,
se fizesse uma pesquisa em seis regiões
específicas do Brasil. E aí
vai se ver que, provavelmente, há
uma redução maior do que
a redução que é apontada
pelo IBGE, porque serão então
análises diretas que podem realmente
medir a redução da mortalidade
infantil.
O
Prefeito nos disse, há pouco, que
aqui a redução da mortalidade
infantil foi grande. Não sei quanto
é. Doze por mil, aí já
é índice de país
desenvolvido. Mas para reduzir dos 33
da média nacional, para esses 12,
ou 8, ou 7 por mil, ou o que possamos,
o que falta é saneamento. Já
não basta mais ter os programas
que temos em nível do Ministério
da Saúde. É preciso que
haja saneamento básico, sem o que
não é uma questão
médica e nem uma questão
simplesmente de nutrição
que vai resolver a mortalidade infantil.
Saneamento básico passa, portanto,
a ser um problema também de saúde
pública e um problema que vamos
ter que, no futuro e a partir de já,
e já o estamos fazendo - mas com
as limitações legais, não
foi possível avançar suficientemente
- mas vai ser um dos desafios fundamentais
para que tenhamos uma sociedade realmente
melhor.
Podem
ter certeza de que as reivindicações
aqui apresentadas no plano do entrosamento
das políticas públicas são
o nosso pensamento. Estamos fazendo um
grande esforço para dar maior concretude
e maior visibilidade ao que tenho chamado,
com certa insistência, de rede de
proteção social. Houve época
em que se dizia a respeito do nosso governo
que tínhamos feito a estabilidade.
Isso foi inegável. Não dava
para negar porque, realmente, a inflação
era galopante. Não o é mais.
Mas diziam que faltou o olhar terno, o
olhar necessário, com sensibilidade
para o social. Os que assim pensaram,
simplesmente não estavam vendo
o que está acontecendo no Brasil.
Os
dados que o Prefeito nos trouxe, os dados
que o Presidente do Prodescom acabou de
nos mostrar provam com tranqüilidade
que as políticas sociais, hoje,
têm mais relevância do que
as políticas de estabilização.
As políticas de estabilização
estão aí já implantadas,
e as políticas de avanço
social estão em processo de implantação.
Estamos
implantando um programa de proteção
social como nunca houve no Brasil. Cansei
de dizer, como sociólogo, como
pessoa ligada à social-democracia
brasileira e internacional e como candidato
à Presidência República,
como Presidente, que tínhamos,
no Brasil, um Estado do mal-estar social.
Na
Europa, falava-se muito do Estado do bem-estar
social, que era a marca da social-democracia.
Eu dizia: o nosso Estado aqui é
do mal-estar social. Por quê? Porque
é um Estado inchado burocraticamente,
que está penetrado por interesses
privados, que tomaram conta de porções
desse Estado e que, ao invés de
ter a capacidade de chegar aos mais pobres,
em geral, os recursos ou morrem na burocracia
ou vão para as camadas que, não
sendo ricas, não são, entretanto,
as mais pobres do país. O desafio
nosso seria de desenhar políticas
sociais que permitissem, pelo menos, as
sementes e os fundamentos de um Estado
de bem-estar social. Foi a isso a que
nós nos dedicamos. E nós
o fizemos.
Hoje,
desde antes de a criança nascer,
a mãe já tem algum tipo
de proteção através
da bolsa de gestação. Se
a mãe é pobre, não
tem recursos, tem algum apoio. Se a criança
nasce, de 0 a 6 anos existe a Bolsa-Alimentação
para a mãe e para a criança.
De 7 a 14 anos temos a Bolsa-Escola. O
Ministro Paulo Renato me disse, anteontem,
que estamos chegando aos 5 milhões
de bolsas distribuídas. Cinco milhões
de cartões. São mais de
5 milhões de crianças, são
5 milhões de cartões, chamados
Bolsa-Escola do Governo Federal.
Com
esse cartão, a mãe de família,
e na falta dela a pessoa responsável
pela família, vai a uma agência
da Caixa Econômica, a um posto dos
Correios, onde seja, e recebe uma pequena
quantia de recursos. Pode chegar a ser
45 reais, para garantir que tenha um mínimo
de condição para manter
a criança na escola, e tem a obrigação
de fazer com que o filho assista pelo
menos a 85% das aulas durante o ano letivo.
Para isso, não pede licença
a ninguém, nem ao Vereador, ao
Prefeito, ao cabo eleitoral, ao Deputado,
ao Senador, ao Governador ou ao Presidente
da República. Não precisa.
É o cartão da cidadania.
É um direito da pessoa de receber
um incentivo para manter a criança
na escola. Isso já existe.
Ao
mesmo tempo, se a criança está
trabalhando em áreas penosas, que
não são próprias
para o trabalho infantil, existe o PETI,
Programa de Erradicação
do Trabalho Infantil, do Ministério
da Previdência Social, da Secretaria
de Assistência Social, que já
deu quase 800 mil bolsas. E mais do que
isso, e nos locais em que foi necessário,
ajudado pelo Ministério da Educação,
criou escolas para que suas crianças
saíssem do trabalho pesado na cana-de-açúcar,
nas salinas, no sisal, nas carvoarias.
Ainda temos muitas crianças nessas
condições, mas já
há recursos para tirar todas as
crianças desse tipo de trabalho,
da condição do trabalhado
infantil insalubre, dando um apoio à
família, para que esta possa, então,
contar com aquela renda que a criança
gerava.
Há,
portanto, um prosseguimento dessa proteção
social. Essa proteção social
se estende àqueles que, trabalhando
no campo e nunca tendo contribuído
para a aposentadoria, quando chegam a
uma certa idade, recebem a sua aposentadoria.
Isso é uma forma de distribuição
direta de renda. Independentemente do
INSS, existe todo um sistema de atendimento
às populações rurais
que não tiveram a possibilidade
de cotizar para a sua aposentadoria, mas
recebem.
E se a pessoa idosa, além dos 67
anos, e se a família não
tem um certo nível de renda, também
recebe um auxílio, o chamado LOAS,
que significa Lei Orgânica de Assistência
Social. A proposta de implementação
foi do Deputado Jutahy Magalhães
e o meu governo colocou em prática.
Hoje,
demograficamente, pelos cálculos
vistos, não há um só
idoso no Brasil - homem ou mulher - nessa
faixa de idade, que tenha a faixa de renda
definida, que já não esteja
recebendo essa ajuda. Há, portanto,
efetivamente, uma rede de proteção
que vai do nascituro ao mais idoso. Para
quem? Para aqueles que correspondem, a
grosso modo, a quase 30% da população
brasileira, que é precisamente
aquela população que está
abaixo da linha da pobreza.
Isso está feito no Brasil. Pode-se
discutir se é possível dar
mais - e no futuro será. Graças
ao esforço coletivo dos Prefeitos
que, basicamente, são que alistam
as pessoas e do Governo Federal, e às
vezes dos Governos Estaduais, estamos
estendendo esta rede de proteção
para que o Estado de mal-estar social
se transforme, efetivamente, num Estado
de bem-estar social, nas condições
de um país que ainda é pobre,
mas que sabe que é desta maneira
que se combate a exclusão social.
Exclusão
social não se acaba com grito na
garganta, não se acaba com retórica
nos Parlamentos. Não. Exclusão
social se acaba com o trabalho sério,
honrado, de parcerias que mobilizem a
sociedade, que organizem a administração
e que emprestem seriedade às ações
de governo. Ao emprestar seriedade, acaba-se
com a corrupção também,
porque não poder haver desvio de
recursos desta forma pela qual nós
estamos redistribuindo a renda no Brasil.
E eu falei redistribuindo a renda.
No
Brasil, do total de 170 milhões
de habitantes, 4 milhões pagam
Imposto de Renda, porque uma imensa maioria
é dispensada do Imposto de Renda,
é isenta do Imposto de Renda. Esses
4 milhões pagam ao redor, no conjunto,
de 20 e poucos bilhões de reais.
Pois bem, esses programas, aos quais me
referi agora, da rede de proteção
social, entregam sob a forma de dinheiro,
aos mais pobres do Brasil, 20 e poucos
bilhões de reais. Quer dizer, o
Governo está funcionando como uma
máquina efetiva de distribuição
de renda, tomando dos mais ricos e dos
menos pobres, porque nós aqui,
nossa imensa maioria, não somos
ricos. Somos menos pobres e pagamos imposto.
Os mais ricos e os menos pobres estão
carreando recursos para os mais pobres.
Obviamente, esses recursos não
saem direto do Imposto de Renda, porque
o dinheiro do Governo é um só
bloco de recursos, mas, efetivamente,
na prática, estamos redistribuindo
a renda. Se a renda cresce, cresce também
o mecanismo de redistribuição.
Está montado um sistema de proteção
social no Brasil e isso é o que
estamos vendo aqui.
As
palavras que foram ditas anteriormente
a mim apenas são outras maneiras
de expressar que a sociedade está
se organizando para assegurar melhor administração,
melhores políticas públicas,
mais acesso, menos exclusão e,
portanto, melhores condições
para a sociedade brasileira
Por todas essas razões, meus amigos
aqui presentes, tão numerosos,
parlamentares, autoridades, Prefeitos
tão numerosos aqui, senhoras e
senhores, é que, quando digo que
fico com alegria de vir, aqui, não
é demagogia. Porque ouço
as palavras que foram proferidas, tanto
pelo Presidente do Prodescom quanto pelo
Prefeito de Itaúna, e tenho certeza
de que expressam o sentimento dos senhores.
Ouço as minhas próprias
palavras. E não porque copiassem
de mim, mas porque, juntos, copiamos do
povo, ouvimos a população,
a população que fala seguidamente.
Até quando está silenciosa,
ela fala, porque emite os sinais de sua
esperança e das suas necessidades,
daquilo que é preciso fazer. Nós
ouvimos esses sinais e os transformamos
em políticas públicas.
Isso
é democracia em marcha, isso é
construção efetiva de um
novo Brasil. Um Brasil, que posso lhes
dizer, está se espraiando. Aqui,
em Minas, pelas qualidades especiais de
Minas, especialmente nesta região,
como já mencionei, isso se vê
mais facilmente. Aqui existe um nível
educacional mais avançado, e como
existe! Fiquei, realmente, muito bem impressionado,
ao ler o relatório da Firjan -
Federação das Indústrias
do Rio de Janeiro, hoje, a respeito do
Prodescom, a respeito dos "clusters",
dos núcleos que estão sendo
organizados aqui, da ardósia, da
questão da cal, da questão
do aço, da questão do calçado,
da questão relativa à indústria
do vestuário e moveleira. Enfim,
são muitas as indústrias.
E aqui, em Minas, se sente essa força,
porque Minas tem essa força que
contagia a gente, mesmo nas regiões
remotas do Brasil, onde não é
tão visível esse fremir
de uma nova sociedade, as sementes delas
já existem.
Fui,
recentemente, a Araripe, nos sertões
do Ceará, além do Crato,
além do Juazeiro, no cristalino
nordestino, onde a água é
dificílima de ser encontrada centenas
de metros abaixo da crosta do cristalino.
Ali se vê, numa natureza, eu diria,
quase hostil, a possibilidade da agricultura.
Lá, em Araripe, uma cidade de 20
mil habitantes, o Prefeito é um
jovem médico, que tinha o curso
de pós-graduado em Roma e, hoje,
é Prefeito pela segunda vez. Ele
disse: "Presidente, aqui ninguém
passa fome". Aqui, 98% das crianças
estão nas escolas. Aqui, tenho
7 equipes de médicos de família.
Aqui, não há ninguém
sem o atendimento médico. Lá,
no interior do sertão do Ceará.
Portanto, se aqui se vê com mais
retumbância, pela própria
força de Minas Gerais, essas transformações.
Mesmo nos locais mais sofridos do Brasil
- e não há local mais sofrido
do que o sertão do Nordeste, onde
a seca, realmente, açoita - mesmo
lá, se sente a semente de um novo
Brasil.
É
isso que eu vim agradecer a vocês.
No fundo, somos todos, hoje, plantadores
de sementes do futuro. Estamos felizes
em poder plantá-las, aqui, juntos,
nesta terra generosa de Minas Gerais,
à qual eu dedico, especialmente
pelo seu centenário, as minhas
últimas palavras de agradecimento,
de júbilo e de confiança
nos mineiros e no Brasil.
Muito
obrigado.