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Aécio e oito secretários abrem Governo Itinerante




Oito secretários de Estado abriram nesta quinta-feira (25), em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, o Governo Itinerante, iniciativa do governador Aécio Neves destinada a estabelecer canais de comunicação entre a administração estadual e a sociedade, prestar contas das ações governamentais e buscar soluções compartilhadas para os problemas regionais. O governador também esteve na cidade, participando de encontros com lideranças regionais e de inaugurações de obras e serviços (foto) .

Os secretários detalharam as ações de cada secretaria e os investimentos para este ano. Antônio Augusto Anastasia, secretário de Planejamento e Gestão, abriu a reunião regional, no Sesi Bom Pastor, afirmando a empresários e lideranças regionais que o processo de moderni-zação da administração estadual é reconhecido pelo Ministério do Planejamento como o melhor do País.

Anastasia falou sobre os 31 projetos estruturadores do governo; o programa de Parcerias Público-Privadas; e as medidas pioneiras que visam à melhoria e à reorganização do Estado, além do desenvolvimento econômico e recuperação política de Minas Gerais.

Ele garantiu que os projetos estruturadores atendem aos dez objetivos prioritários do gover-no na área de segurança, infra-estrutura, serviços, meio ambiente, geração de empregos, agricultura, recuperação da desigualdades sociais, choque de gestão, PPP e recuperação do préstígio político de Minas Gerais. Anastasia acrescentou que parte dos projetos estruturadores atende à região Centro-Oeste, citando a recuperação da rodovia MG-50, via de escoamento da produção de importantes municípios do Estado.


Moradia e saneamento


A secretária de Desenvolvimento Regional e Urbano, Maria Emília Rocha Melo, anunciou o financiamento e o início imediato da construção de 211 moradias para mutuários de Divinópolis, numa iniciativa conjunta do Governo do Estado, Prefeitura Municipal e Caixa Econômica Federal. Ela lembrou que, no ano passado, o governo do Estado investiu R$ 5,7 milhões na área de saneamento básico de Divinópolis. Outros R$ 6,2 milhões foram liberados para obras de melhoria do sistema de abastecimento. Ela reiterou que mais R$ 8,4 milhões estão previstos para obras de produção, tratamento e distribuição de água do município.


Educação e Saúde


A secretária de Educação, Vanessa Guimarães, garantiu, durante encontro com mais de 500 profissionais da área de ensino, no auditório da Faculdade de Direito do Oeste de Minas (Fadom), que está previsto, em 2004, mais de R$ 1,2 milhão para o transporte escolar de Divinópolis e Pará de Minas. Neste ano, igual quantia já foi liberada para obras e outros investimentos.

O secretário de Saúde, Marcus Pestana, detalhou, no auditório do Senai, os principais programas da secretaria e os investimentos previstos para este ano. Segundo ele, com recursos do tesouro estadual, o programa Pró-Hosp investe mais de R$ 60 milhões por ano, e a macrorregião de Divinópolis recebe anualmente R$ 2,1 milhões.

Com o programa Farmácia de Minas, a região receberá R$ 5,37 milhões, dos quais R$ 5,16 milhões já foram liberados. Com o programa o Viva Vida para reduzir a mortalidade infantil e materna, a macrorregião receberá este ano R$ 50 mil.

No Sistema Estadual de Transporte Sanitário (Sets), para apoio aos municípios e unidades integradas ao SUS, já foram entregues 380 ambulâncias. Dezessete municípios da macrorregião Oeste estão sendo beneficiados com a cessão de ambulâncias


Emprego e Renda


O secretário de Desenvolvimento Econômico, Wilson Nélio Brumer, afirmou, no Sesi Bom Pastor, que a orientação do Governo Aécio Neves é simplificar e facilitar a vida do empresário. Ele destacou os principais programas estruturadores, afirmando que já estão assegurados recursos superiores a R$ 30 bilhões em investimentos, resultado do Empresa Mineira Competitiva, programa para atração de novos negócios para Minas.

Já o secretário de Estado da Fazenda, Fuad Noman, afirmou que a intenção do governo com o programa Minas Ativa – Empresa Competitiva, lançado na última segunda-feira pelo governador Aécio Neves, no Palácio da Liberdade, é beneficiar o empresário adimplente, além de atrair novos investimentos.

Fuad disse que o Centro-Oeste mineiro poderá se beneficiar com o novo programa em função do grande número de empreendedores autônomos, que têm a chance de se cadastrar na receita, tornando-se aptos a emitir nota fiscal. Com isso, estarão contribuindo para o aumento do Valor Agregado Fiscal (VAF) e, portanto, para o crescimento da participação dos municípios da região na distribuição dos recursos do ICMS.

O secretário de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Odelmo Leão, destacou que o agronegócio, no ano passado, colaborou com 27% das exportações de Minas. E essa desempenho está levando o governo a investir para desonerar a cadeia produtiva do agronegócio. “Minas tem o segundo maior rebanho bovino do país, mas a carne e o couro ainda são industrializados fora do nosso Estado. Precisamos dar um basta nesta situação”, disse. Segundo o secretário, agregar valor significa atrair riqueza, gerando mais emprego e renda.


Transporte


A MG-050, que liga Belo Horizonte a Divinópolis e a São Sebastião do Paraíso, na divisa com São Paulo, será a primeira experiência brasileira da Parceria Público-Privado (PPP), um dos projetos estruturadores do Governo Aécio Neves. A informação é do assessor especial da Secretária de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop), engenheiro Ramon Victor César, que representou o secretário Agostinho Patrús.

Segundo Ramon César, os trabalhos para implantação do Programa PPP já estão em fase bem adiantada, mas, a partir de abril, o governo estadual investirá na melhoria das condições de tráfego daquela rodovia. “Trata-se de uma recuperação emergencial, que envolve trabalhos de recapeamento da rodovia e de algumas outras vias alimentadoras do eixo da MG-050”, explicou.

Ramon César destacou, ainda, o Proacesso, que benficiará 224 municípios. Em sua primeira etapa, o Programa prevê 63 trechos, totalizando 1.260 quilômetros, cujos recursos são da ordem de R$ 249 milhões. De acordo com o assessor, nesta primeira etapa do programa qua-tro trechos da região Centro-Oeste estão incluídos: Doresópolis/entroncamento da MG-050; Leandro Ferreira/entroncamento da BR-262; São Roque de Minas, Piumhi e Vargem Bonita até o entroncamento da MG-341. Segundo ele, 80% dos municípios sem asfalto da região foram contemplados nesta primeira etapa. São 77 quilômetros que serão pavimentados.


Meio Ambiente


A regionalização do Conselho de Política Ambiental (Copam) foi o principal assunto abordado pelo secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho, durante encontro com líderes empresariais e políticos da região. A criação de unidades regionais do Copam é uma das principais ações da Secretaria do Meio Ambiente para facilitar e agilizar o licenciamento de novos empreendimentos e a fiscalização ambiental em todo o estado. Em Divinópolis, foi inaugurado, no último dia 15, a sede do Copam Alto São Francisco, que tem 16 conselheiros titulares e 16 suplentes, representando toda a sociedade civil da região.




 
 
ENCONTRO DE LIDERANÇAS
    Foi realizado em Bom Despacho, nos dias 03 e 04 de dezembro o Encontro de Lideranças do Centro-Oeste de Mineiro, que contou com a participação do Dr. Romeu Scarioli - Presidente do BDMG. Mais informações  
A plenária decidiu pelo recadastramento de todos os representantes dos municípios, o que deverá ser feito através deste site. Clique aqui para saber mais sobre o recadastramento
 
 
 

 Governo prioriza atendimento a projeto do PRODESCOM

 

Durante a última campanha das eleições para Presidente e para Governador do Estado, o PRODESCOM – Programa de Desenvolvimento Sustentável do Centro-Oeste Mineiro – entregou aos candidatos eleitos Lula e Aécio Neves, projetos solicitando melhorias nas rodovias federais e estaduais da região Centro-Oeste. No ano de 2002, ainda no Governo de FHC, os projetos técnicos solicitados foram concluídos, mas não foram incluídos no orçamento.

 

Na última semana, em reunião realizada em Belo Horizonte, da qual participaram o Secretário de Transportes e Obras Públicas do Estado, Agostinho Patrus, o representante do DENIT – Departamento de Infra-estrutura em Transportes e representante do Ministério dos Transportes, a direção do PRODESCOM foi informada da inclusão das prioridades solicitadas no Plano Plurianual de Investimentos, a vigorar de 2004 a 2007. Na ocasião, o secretário esclareceu que os projetos solicitados foram incluídos dentre os projetos estruturadores dos corredores de integração e desenvolvimento.

 

Para a adequação de corredores de integração e desenvolvimento, o governo mineiro traçou como prioridade as obras da Rodovia BR 040, trechos Belo Horizonte – Juiz de Fora e Sete Lagoas – Trevo para Curvelo; as obras da duplicação da Rodovia BR 262, trecho Betim – Nova Serrana e a recuperação do trecho Nova Serrana – Uberaba; a conclusão da duplicação da Rodovia BR 381, trechos-conclusão das obras de duplicação da rodovia Fernão Dias e recuperação e melhoramento do trecho Belo Horizonte – Monlevade – Ipatinga – Valadares; recuperação e melhoria da rodovia MG 050, trechos Juatuba – Divinópolis e Divinópolis – S. S. do Paraíso.

Segundo o Secretário Agostinho Patrus entenda-se como melhoria nas rodovias do Centro-Oeste mineiro, além da duplicação da BR-262, no trecho Betim-Nova Serrana, também a duplicação da MG-050, nos trechos Juatuba-Divinópolis e a construção de terceira pista em partes do trecho Divinópolis-S.S.do Paraíso.

Nessas obras, os investimentos previstos somam R$ 987 milhões, recursos estes oriundos do governo Federal e do Programa de Parcerias Público Privados.

O projeto de melhoria da malha viária do Centro-Oeste mineiro tem sido uma das prioridades trabalhadas pelas lideranças regionais nestes últimos dois anos. Segundo o Presidente do PRODESCOM, Claudio Veras, este é o segundo passo importante para a concretização deste projeto, após a elaboração dos projetos técnicos, mas não significa ainda a garantia da concretização. “O trabalho conjunto da nossa bancada parlamentar e das lideranças da sociedade civil mostra que estamos no caminho certo, mas devemos continuar e até intensificar esta ação para termos os resultados desejados pela comunidade do centro-oeste”, conclui Veras.

 
     
     
     
 

Discurso do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, na cerimônia de apresentação do Programa de Desenvolvimento Sustentável do Centro-Oeste do Estado de Minas Gerais - Itaúna/MG

 
 

 

Meu caro Eduardo Azeredo,
Meus amigos Ministros de Estado, aqui presentes,
Senadores, Deputados,
Osmando Pereira da Silva, que é o nosso Prefeito de Itaúna,
Cláudio Veras, que é o Presidente do Prodescom,
Senhoras e Senhores,

Mais uma vez, aqui, em Minas Gerais, sinto a alegria de ser brasileiro. Sinto uma alegria autêntica aqui, neste pedacinho de Minas. O Governador Eduardo Azeredo me dizia que é, talvez, o mais mineiro dos pedaços mineiros, porque sofre menos a influência de outros Estados, é Minas em estado puro, na sua própria essência. E sinto a alegria de ser brasileiro. E digo o porquê.

Primeiro, porque há este Prodescom, que é uma realização. Depois, porque o Prefeito foi tão preciso, tão direto, ao fazer um diagnóstico da sua cidade, e tão generoso, ao referir-se ao Presidente da República, que só posso agradecer.

Agora, acabamos de ouvir uma exposição admirável. Admirável e que eu gostaria que todos os brasileiros pudessem tê-la escutado com a mesma atenção que prestamos para, de uma maneira tão objetiva, ter um resumo do que está neste pedacinho do Brasil. Tomara o que esteja acontecendo aqui se generalize pelo Brasil todo. Porque o que está acontecendo aqui é o sonho de todos nós. Um Brasil que hoje, em plena democracia, com estabilidade da economia, é capaz de pensar em conjunto os seus problemas. É capaz de planejar, é capaz de ver o que dá para fazer no tempo e se organiza. Isso é o sonho de uma sociedade que se democratiza.

Este é um Brasil que, talvez, não seja tão visível, ainda, em muitas outras regiões, até mesmo nas grandes cidades, onde é mais difícil, é mais tumultuado para perceber essa mudança que está ocorrendo. Mas nos aproximamos desse Brasil vital, desses enormes espaços, hoje, pontilhados de cidades, como Itaúna. Basta chegar, aqui, e se, ver que é uma cidade que tem organização. Basta olhar o traçado urbano da cidade. Basta ver os morros e a cidade como vai, caprichosamente, subindo o morro, como vai havendo uma escola, uma Faculdade ali adiante, como as casas vão melhorando. Ainda há pobreza, por certo, como em toda parte do Brasil, mas já começa a haver dignidade. E a dignidade depende, em larga medida – como disse, aqui, o Prefeito – das políticas pública que possam fazer com que aqueles que nada têm, ou que têm muito pouco, pelo menos tenham o essencial para uma vida decente: educação, saúde, habitação, saneamento, uma condição de cidadania, uma condição de ser humano. Vê-se que aqui isso existe.

Não conheço todas as cidades da região. Estive, sim, recentemente, na Serra da Canastra. Conheço bastante Minas. Venho freqüentemente a Minas. É o Estado onde eu mais vivo, porque sempre que posso, saio de Brasília e vou para Buritis. E sempre que me deixam em paz, por lá – não é sempre – gosto das delícias de ser mineiro, também.

Não conheço toda a região. Mas imagino, ao ver Itaúna, que esse espírito permeia toda a região. Conheço os Deputados e os Senadores. Os Senadores, alguns deles, de muitos anos. Fomos colegas. O Senador Francelino Pereira, que é um pouco mais moço que eu, e o Senador Arlindo Porto, fomos colegas, no Senado. E os Deputados, de tantas vezes que estivemos juntos. Mais recentemente, foi o Deputado Rafael Guerra quem, realmente, incutiu no meu espírito a importância, a necessidade de vir, aqui, me encontrar com os demais companheiros Deputados e Senadores, Ministros e, sobretudo, os Prefeitos da região. Então, eu os conheço e sei, por intermédio deles, das transformações que estão ocorrendo aqui.

Aqui se está fazendo o que é preciso fazer: um planejamento moderno. Planejamento moderno não significa, obviamente, dizer que o mercado vai resolver as coisas. Porque o mercado não resolve. O mercado não resolve as questões fundamentais de uma sociedade que ainda tem desigualdades tão marcantes quanto a brasileira. Mas, também, não significa dizer que o Estado possa fazê-lo. Planejamento moderno significa uma parceria, como aqui foi dito, entre os vários níveis da administração local, se possível estadual, a federal, que têm que se dar as mãos. E eu dou as mãos de qualquer maneira, pelo povo da região. Temos que entender isso: é preciso que haja harmonia entre os vários níveis da administração. Na política nós podemos até brigar. Não gosto muito de brigar não, mas brigo.

Mas o importante não é só a política para o povo. O importante é a capacidade de fazer com que as políticas públicas cheguem ao povo. E isso requer uma coordenação administrativa. Mas, além disso, é preciso que os segmentos mais vibrantes da sociedade civil se organizem e cooperem – na crítica também – mas cooperem na implementação das transformações que são necessárias.

Essas transformações não podem, como no passado alguns imaginaram, ser ditadas pelo governo, pelo Estado, por um plano burocrático que esteja muito distanciado da realidade viva da sociedade. Tem que ser algo que vai em processo, em que hoje se propõe uma coisa, amanhã outra, se ajusta, há contradições, mas há uma diretriz, há um rumo. E é o que está acontecendo aqui no Prodescom. É o que está acontecendo quando se juntam todos, e nos vários níveis da administração e quando, pouco a pouco, vamos definindo os caminhos. E, finalmente, hoje, pedem apoio para quatro programas. Chegou-se a um objetivo. Dentro das minhas possibilidades, darei o apoio.

Darei o apoio e posso lhes dizer que vou mandar verificar as estradas aí referidas, o que é possível fazer no Orçamento. Por quê? Porque as estradas estavam delegadas ao Governo Estadual. Elas voltaram agora para o Governo Federal por uma questão de querela sobre pedágios. Não sei se no Orçamento já existe a linha que me permita colocar os recursos. Se existe, vou colocar os recursos. Então, vou mandar o Ministério do Planejamento colocar os recursos. Não porque visitei aqui, não apenas porque estive aqui, não apenas para comemorar – e já bastaria – os 100 anos de Itaúna, mas porque vi o trabalho sério, porque vi que isso é a vontade coletiva da região organizada, e não é apenas um apelo, nem político, nem partidário, nem do governo, mas é de toda a sociedade que acha que isso é importante. Então, nós vamos fazer.

Da mesma maneira, no que diz respeito ao saneamento básico, existem recursos no Ministério de Meio Ambiente especificamente para o Rio São Francisco. O secretário-executivo está aqui, o Ministro não está. Tenho certeza de que, se o secretário destinar esses recursos, o Ministro vai dizer: obrigado secretário, é isso mesmo!

Saneamento é um processo longo, é custoso. Um dos principais obstáculos a que se avance no saneamento básico no Brasil é a indefinição, que ainda existe, em nível constitucional e em nível infra-constitucional, sobre a titularidade da concessão. Ou seja, quem dá a concessão é o município ou é o Estado? Quando os municípios se organizam em bacias, quando existe essa compreensão de que não é possível haver uma luta cega para saber quem é dono do quê, senão que o povo que é o dono de tudo – e aqui houve isso – torna-se mais fácil enfrentar e resolver a questão do saneamento básico, que talvez seja hoje o ponto mais delicado para darmos continuidade à luta, que é contínua, que é a respeito das melhorias das condições de saúde do nosso povo.

Conseguimos reduzir, significativamente, a mortalidade infantil na última década. Dentro de poucos dias, o IBGE termina uma análise comparando toda a última década do século passado, do ano de 1991 até o ano 2000. Imagino que, aí, será mais fácil mostrar ao país o quanto se mudou o Brasil. E, certamente, na questão de mortalidade infantil, houve uma queda. Ainda é elevada a mortalidade no Brasil: 33 crianças por mil nascidos. Os dados não são muito precisos, porque no Brasil não se faz para calcular a mortalidade infantil aquilo que se faz nos países mais desenvolvidos, ou seja, fazer uma pesquisa no cartório. Aqui se faz de outra maneira e, ao fazer-se de outra maneira, há uma margem de especulação. Mas agora o Ministro da Saúde determinou, creio que a Unicef e a Organização Mundial de Saúde estão patrocinando, se fizesse uma pesquisa em seis regiões específicas do Brasil. E aí vai se ver que, provavelmente, há uma redução maior do que a redução que é apontada pelo IBGE, porque serão então análises diretas que podem realmente medir a redução da mortalidade infantil.

O Prefeito nos disse, há pouco, que aqui a redução da mortalidade infantil foi grande. Não sei quanto é. Doze por mil, aí já é índice de país desenvolvido. Mas para reduzir dos 33 da média nacional, para esses 12, ou 8, ou 7 por mil, ou o que possamos, o que falta é saneamento. Já não basta mais ter os programas que temos em nível do Ministério da Saúde. É preciso que haja saneamento básico, sem o que não é uma questão médica e nem uma questão simplesmente de nutrição que vai resolver a mortalidade infantil. Saneamento básico passa, portanto, a ser um problema também de saúde pública e um problema que vamos ter que, no futuro e a partir de já, e já o estamos fazendo – mas com as limitações legais, não foi possível avançar suficientemente – mas vai ser um dos desafios fundamentais para que tenhamos uma sociedade realmente melhor.

Podem ter certeza de que as reivindicações aqui apresentadas no plano do entrosamento das políticas públicas são o nosso pensamento. Estamos fazendo um grande esforço para dar maior concretude e maior visibilidade ao que tenho chamado, com certa insistência, de rede de proteção social. Houve época em que se dizia a respeito do nosso governo que tínhamos feito a estabilidade. Isso foi inegável. Não dava para negar porque, realmente, a inflação era galopante. Não o é mais. Mas diziam que faltou o olhar terno, o olhar necessário, com sensibilidade para o social. Os que assim pensaram, simplesmente não estavam vendo o que está acontecendo no Brasil. Os dados que o Prefeito nos trouxe, os dados que o Presidente do Prodescom acabou de nos mostrar provam com tranqüilidade que as políticas sociais, hoje, têm mais relevância do que as políticas de estabilização. As políticas de estabilização estão aí já implantadas, e as políticas de avanço social estão em processo de implantação.

Estamos implantando um programa de proteção social como nunca houve no Brasil. Cansei de dizer, como sociólogo, como pessoa ligada à social-democracia brasileira e internacional e como candidato à Presidência República, como Presidente, que tínhamos, no Brasil, um Estado do mal-estar social.

Na Europa, falava-se muito do Estado do bem-estar social, que era a marca da social-democracia. Eu dizia: o nosso Estado aqui é do mal-estar social. Por quê? Porque é um Estado inchado burocraticamente, que está penetrado por interesses privados, que tomaram conta de porções desse Estado e que, ao invés de ter a capacidade de chegar aos mais pobres, em geral, os recursos ou morrem na burocracia ou vão para as camadas que, não sendo ricas, não são, entretanto, as mais pobres do país. O desafio nosso seria de desenhar políticas sociais que permitissem, pelo menos, as sementes e os fundamentos de um Estado de bem-estar social. Foi a isso a que nós nos dedicamos. E nós o fizemos.

Hoje, desde antes de a criança nascer, a mãe já tem algum tipo de proteção através da bolsa de gestação. Se a mãe é pobre, não tem recursos, tem algum apoio. Se a criança nasce, de 0 a 6 anos existe a Bolsa-Alimentação para a mãe e para a criança. De 7 a 14 anos temos a Bolsa-Escola. O Ministro Paulo Renato me disse, anteontem, que estamos chegando aos 5 milhões de bolsas distribuídas. Cinco milhões de cartões. São mais de 5 milhões de crianças, são 5 milhões de cartões, chamados Bolsa-Escola do Governo Federal.

Com esse cartão, a mãe de família, e na falta dela a pessoa responsável pela família, vai a uma agência da Caixa Econômica, a um posto dos Correios, onde seja, e recebe uma pequena quantia de recursos. Pode chegar a ser 45 reais, para garantir que tenha um mínimo de condição para manter a criança na escola, e tem a obrigação de fazer com que o filho assista pelo menos a 85% das aulas durante o ano letivo. Para isso, não pede licença a ninguém, nem ao Vereador, ao Prefeito, ao cabo eleitoral, ao Deputado, ao Senador, ao Governador ou ao Presidente da República. Não precisa. É o cartão da cidadania. É um direito da pessoa de receber um incentivo para manter a criança na escola. Isso já existe.

Ao mesmo tempo, se a criança está trabalhando em áreas penosas, que não são próprias para o trabalho infantil, existe o PETI, Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, do Ministério da Previdência Social, da Secretaria de Assistência Social, que já deu quase 800 mil bolsas. E mais do que isso, e nos locais em que foi necessário, ajudado pelo Ministério da Educação, criou escolas para que suas crianças saíssem do trabalho pesado na cana-de-açúcar, nas salinas, no sisal, nas carvoarias. Ainda temos muitas crianças nessas condições, mas já há recursos para tirar todas as crianças desse tipo de trabalho, da condição do trabalhado infantil insalubre, dando um apoio à família, para que esta possa, então, contar com aquela renda que a criança gerava.

Há, portanto, um prosseguimento dessa proteção social. Essa proteção social se estende àqueles que, trabalhando no campo e nunca tendo contribuído para a aposentadoria, quando chegam a uma certa idade, recebem a sua aposentadoria. Isso é uma forma de distribuição direta de renda. Independentemente do INSS, existe todo um sistema de atendimento às populações rurais que não tiveram a possibilidade de cotizar para a sua aposentadoria, mas recebem.

E se a pessoa idosa, além dos 67 anos, e se a família não tem um certo nível de renda, também recebe um auxílio, o chamado LOAS, que significa Lei Orgânica de Assistência Social. A proposta de implementação foi do Deputado Jutahy Magalhães e o meu governo colocou em prática.

Hoje, demograficamente, pelos cálculos vistos, não há um só idoso no Brasil – homem ou mulher – nessa faixa de idade, que tenha a faixa de renda definida, que já não esteja recebendo essa ajuda. Há, portanto, efetivamente, uma rede de proteção que vai do nascituro ao mais idoso. Para quem? Para aqueles que correspondem, a grosso modo, a quase 30% da população brasileira, que é precisamente aquela população que está abaixo da linha da pobreza.

Isso está feito no Brasil. Pode-se discutir se é possível dar mais – e no futuro será. Graças ao esforço coletivo dos Prefeitos que, basicamente, são que alistam as pessoas e do Governo Federal, e às vezes dos Governos Estaduais, estamos estendendo esta rede de proteção para que o Estado de mal-estar social se transforme, efetivamente, num Estado de bem-estar social, nas condições de um país que ainda é pobre, mas que sabe que é desta maneira que se combate a exclusão social.

Exclusão social não se acaba com grito na garganta, não se acaba com retórica nos Parlamentos. Não. Exclusão social se acaba com o trabalho sério, honrado, de parcerias que mobilizem a sociedade, que organizem a administração e que emprestem seriedade às ações de governo. Ao emprestar seriedade, acaba-se com a corrupção também, porque não poder haver desvio de recursos desta forma pela qual nós estamos redistribuindo a renda no Brasil. E eu falei redistribuindo a renda.

No Brasil, do total de 170 milhões de habitantes, 4 milhões pagam Imposto de Renda, porque uma imensa maioria é dispensada do Imposto de Renda, é isenta do Imposto de Renda. Esses 4 milhões pagam ao redor, no conjunto, de 20 e poucos bilhões de reais.

Pois bem, esses programas, aos quais me referi agora, da rede de proteção social, entregam sob a forma de dinheiro, aos mais pobres do Brasil, 20 e poucos bilhões de reais. Quer dizer, o Governo está funcionando como uma máquina efetiva de distribuição de renda, tomando dos mais ricos e dos menos pobres, porque nós aqui, nossa imensa maioria, não somos ricos. Somos menos pobres e pagamos imposto. Os mais ricos e os menos pobres estão carreando recursos para os mais pobres. Obviamente, esses recursos não saem direto do Imposto de Renda, porque o dinheiro do Governo é um só bloco de recursos, mas, efetivamente, na prática, estamos redistribuindo a renda. Se a renda cresce, cresce também o mecanismo de redistribuição. Está montado um sistema de proteção social no Brasil e isso é o que estamos vendo aqui.

As palavras que foram ditas anteriormente a mim apenas são outras maneiras de expressar que a sociedade está se organizando para assegurar melhor administração, melhores políticas públicas, mais acesso, menos exclusão e, portanto, melhores condições para a sociedade brasileira

Por todas essas razões, meus amigos aqui presentes, tão numerosos, parlamentares, autoridades, Prefeitos tão numerosos aqui, senhoras e senhores, é que, quando digo que fico com alegria de vir, aqui, não é demagogia. Porque ouço as palavras que foram proferidas, tanto pelo Presidente do Prodescom quanto pelo Prefeito de Itaúna, e tenho certeza de que expressam o sentimento dos senhores. Ouço as minhas próprias palavras. E não porque copiassem de mim, mas porque, juntos, copiamos do povo, ouvimos a população, a população que fala seguidamente. Até quando está silenciosa, ela fala, porque emite os sinais de sua esperança e das suas necessidades, daquilo que é preciso fazer. Nós ouvimos esses sinais e os transformamos em políticas públicas.

Isso é democracia em marcha, isso é construção efetiva de um novo Brasil. Um Brasil, que posso lhes dizer, está se espraiando. Aqui, em Minas, pelas qualidades especiais de Minas, especialmente nesta região, como já mencionei, isso se vê mais facilmente. Aqui existe um nível educacional mais avançado, e como existe! Fiquei, realmente, muito bem impressionado, ao ler o relatório da Firjan – Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, hoje, a respeito do Prodescom, a respeito dos "clusters", dos núcleos que estão sendo organizados aqui, da ardósia, da questão da cal, da questão do aço, da questão do calçado, da questão relativa à indústria do vestuário e moveleira. Enfim, são muitas as indústrias. E aqui, em Minas, se sente essa força, porque Minas tem essa força que contagia a gente, mesmo nas regiões remotas do Brasil, onde não é tão visível esse fremir de uma nova sociedade, as sementes delas já existem.

Fui, recentemente, a Araripe, nos sertões do Ceará, além do Crato, além do Juazeiro, no cristalino nordestino, onde a água é dificílima de ser encontrada centenas de metros abaixo da crosta do cristalino. Ali se vê, numa natureza, eu diria, quase hostil, a possibilidade da agricultura. Lá, em Araripe, uma cidade de 20 mil habitantes, o Prefeito é um jovem médico, que tinha o curso de pós-graduado em Roma e, hoje, é Prefeito pela segunda vez. Ele disse: "Presidente, aqui ninguém passa fome". Aqui, 98% das crianças estão nas escolas. Aqui, tenho 7 equipes de médicos de família. Aqui, não há ninguém sem o atendimento médico. Lá, no interior do sertão do Ceará.

Portanto, se aqui se vê com mais retumbância, pela própria força de Minas Gerais, essas transformações. Mesmo nos locais mais sofridos do Brasil – e não há local mais sofrido do que o sertão do Nordeste, onde a seca, realmente, açoita – mesmo lá, se sente a semente de um novo Brasil.

É isso que eu vim agradecer a vocês. No fundo, somos todos, hoje, plantadores de sementes do futuro. Estamos felizes em poder plantá-las, aqui, juntos, nesta terra generosa de Minas Gerais, à qual eu dedico, especialmente pelo seu centenário, as minhas últimas palavras de agradecimento, de júbilo e de confiança nos mineiros e no Brasil.

Muito obrigado.

 

 
     
     
     
     
 
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA EM VISITA AO PRODESCOM
 
  O candidato à Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve em Divinópolis para conhecer o Programa de Desenvolvimento Sustentável do Centro Oeste Mineiro. O Programa foi apresentado pelo Presidente Cláudio Veras, que solicitou ao presidenciável o apoio às propostas e projetos em andamento. Lula, elogiando a iniciativa dos municípios participantes, garantiu apoio ao Prodescom, afirmando, ainda, que foi a primeira iniciativa desta natureza que conheceu em toda a sua trajetória política.  
         
     
 
         
 
 
Senador José Serra visita o Centro-Oeste de Minas para conhecer o PRODESCOM
 
     
 

O Senador José Serra - Candidato à Presidência pelo PSDB - esteve em Divinópolis, no dia 07 de junho de 2002, especialmente para conhecer o PRODESCOM - Na oportunidade o Senador recebeu das mãos do Presidente em exercício Afonso Gonzaga e de Sérgio Martins Presidente da ACI de Divinópolis, documentos referentes aos Projetos do Prodescom que estão tramitando em Brasília.

Fotos:

 
 
 
 
 
 
 
 
 

REUNIÕES EM BRASÍLIA PARA TRATAR DOS PROJETOS DO PRODESCOM
         
   

MINISTÉRIO DOS TRANSPORTES

O Presidente Cláudio Veras e o Deputado Federal Rafael Guerra explicam ao Ministro as propostas do PRODESCOM para melhoria das rodovias federais que cortam a região.

 
         
 

EMBRAPA

Na Embrapa os representantes do PRODESCOM, acompanhados do Deputado Federal Jaime Martins, discutem, com o Diretor do Órgão, o projeto de agregação de valor a produção agropecuária do centro-oeste mineiro.

   
         
   

CÂMARA DOS DEPUTADOS

A Comissão apresenta ao Deputado Federal Eduardo Barbosa o Projeto de Crédito Especial para Micro e Pequenas Empresas.

 
         
 

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

O Projeto Ambiental do PRODESCOM é discutido com o Ministro José Carlos Carvalho - do Meio Ambiente. De acordo com o Ministro o Projeto será ampliado para tornar-se um modelo nacional.

   
         
 
 
PRODESCOM RECEBE O PRESIDENTE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO
 
         
 

O Presidente Fernando Henrique Cardoso esteve em Itaúna, especialmente para conhecer o PRODESCOM. Cláudio Veras, presidente do Prodescom, apresentou à FHC quatro reivindicações contemplando as seguintes áreas: Meio Ambiente (saneamento) , Infra-estrutura (malha rodoviária), Apoio à Micro e Pequenas Empresas (crédito) e Agronegócios (agregação de valor à produção).

"Agora, acabamos de ouvir uma exposição admirável. Admirável e que eu gostaria que todos os brasileiros pudessem tê-la escutado com a mesma atenção que prestamos para, de uma maneira tão objetiva, ter um resumo do que está acontecendo neste pedacinho do Brasil. Tomara o que esteja acontecendo aqui se generalize pelo Brasil todo. Porque o que está acontecendo aqui é o sonho de todos nós. " com estas palavras o Presidente demonstrou sua satisfação em conhecer a iniciativa o centro-oeste de Minas e ainda garantiu o seu apoio aos projetos do Prodescom dizendo: "hoje, pedem apoio para quatro programas. Chegou-se a um objetivo. Dentro das minhas possibilidades, darei o apoio.


Darei o apoio e posso lhes dizer que vou mandar verificar as estradas aí referidas, o que é possível fazer no Orçamento. Por quê? Porque as estradas estavam delegadas ao Governo Estadual. Elas voltaram agora para o Governo Federal por uma questão de querela sobre pedágios. Não sei se no Orçamento já existe a linha que me permita colocar os recursos. Se existe, vou colocar os recursos. Então, vou mandar o Ministério do Planejamento colocar os recursos. Não porque visitei aqui, não apenas porque estive aqui, não apenas para comemorar - e já bastaria - os 100 anos de Itaúna, mas porque vi o trabalho sério, porque vi que isso é a vontade coletiva da região organizada, e não é apenas um apelo, nem político, nem partidário, nem do governo, mas é de toda a sociedade que acha que isso é importante. Então, nós vamos fazer.
" assegurou FHC.